20 de novembro de 2013

A TRILOGIA ÉPICA DO CAVALEIRO DAS TREVAS

Ok! Eu sei que a trilogia de Christopher Nolan sobre o morcegão já foi concluída há um tempo. Mas tive vontade de registrar minhas impressões sobre uma das maiores obras-primas do cinema no que se refere à adaptações com super-herois. Sem querer ser metido a crítico de cinema, nada. Só escrever meio que sem compromisso... embora com algumas pretensões.

Por que a trilogia do Nolan é a boa? Vamos lembrar que o Batman era um heroi extremamente avacalhado no cinema. Depois que Joel Schumacher resolveu ganhar dinheiro com a pobre cria de Bob Kane, o morcegão acabou saindo muito queimado nesta história. Não nos esqueçamos (ou melhor, nos esqueçamos SIM) daquele Batman carnavalesco, cheio de apetrechos brilhantes, tetinhas salientes na armadura e cartão de crédito batcard oficial. Aquele primeiro, de 1989, com o Jack Nicholson, foi bem legal! Mas Michael Keaton, pra mim, não convencia como Bruce Wayne, nem como Batman. Menos ainda Val Kilmer, que até tinha rosto de Bruce Wayne, mas não atitude de justiceiro. George Clooney foi "pra acabar". Prefiro nem comentar.

Enfim, depois de uma "bomba" atrás da outra, com representações sofríveis, roteiros terríveis e muito glitter e purpurina espalhados nos cenários de plástico, nosso heroi caíra em desgraça. Estava enterrado, desacreditado, morimbundo. Nem a costela quebrada pelo marombado Bane em "A Queda do Morcego" causou-lhe tanto estrago.

Até que, quase 10 anos depois de Batman e Robin (aquele das tetas redondinhas), chegou a vez de Nolan levar o morcegão de volta às telonas. A responsabilidade era grande! Não que fosse difícil produzir um filme melhor do que os anteriores, longe disso. Mas Nolan ficou com o fardo de reerguer um personagem achincalhado, ridicularizado nos cinemas. O heroi da capa preta precisava de um fôlego novo; precisava voltar a assustar a bandidagem, impor respeito. Acho que Nolan entendeu essa realidade e colocou as mãos na massa com base nesta convicção. E, assim, nasceu Batman Begins.



O que tem o Batman Begins que os outros diretores não chegaram nem perto de fazer? Bruce Wayne. Sim! O alter-ego do morcegão era a peça que faltava. Burton e Schumacher concentraram toda a atenção no heroi e se esqueceram de sua "humanidade", digamos assim. Se esqueceram que Wayne era um milionário vingativo, traumatizado pela morte dos pais e que precisava de motivo pra torrar a fortuna da herança pra salvar inocentes. Bruce Wayne precisava de treino. Precisava enterrar seu passado e tirar lições dele para não enlouquecer. E Nolan deu a Bruce Wayne uma motivação: tornar-se um símbolo de justiça em uma cidade corrompida pela ganância tanto da bandidagem quanto da própria polícia. E ser treinado por Ra's al Ghul, no próprio submundo do crime, foi a grande sacada.

E nem vamos comparar níveis de qualidade entre roteiro, fotografias, atuações, efeitos especiais e tudo o mais. Batman Begins foi, realmente, o começo de tudo. As adaptações de Tim Burton e Joel Schumacher foram esquecidas sem cerimônia, como se nunca existissem. E nem poderia ser diferente.



Com todo o primor do primeiro filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas, ainda assim ficaram algumas pontas soltas no ar. Faltava um vilão! Alguém que realmente desse motivos para um cara sair por aí de colete e máscara, às noites, socando marginais. No primeiro filme, o morcegão transformou Gotham City numa cidade habitável e melhor para se viver. Não que o crime não fosse uma constante; mas a bandidagem não dava as caras assim, pra bater, enquanto pairava no ar um símbolo de opressão muito mais forte do que eles. Estavam se cagando de medo! Tinham de agir às escondidas.

Até que surgiu o palhaço do crime em The Dark Knight. Um vilão sem medos, sem planos, sem ambições. Apenas um passado obscuro e uma personalidade de pura psicopatia. O Coringa não queria dinheiro, não queria poder; seu objetivo era apenas provar à Gotham City que a humanidade é podre e capaz de feitos terríveis, dependendo da situação. Com o palhaço, a criminalidade voltou a reinar em Gotham; mas a cidade não contava apenas com o morcegão para se proteger. Harvey Dent estava à espreita como o promotor de justiça punho-de-aço que prometia limpar a cidade do crime. E cumpriu tão bem o papel, que Bruce Wayne chegou a cogitar em aposentar o manto do morcego. Mas o pobre coitado enlouqueceu e caiu nas profundezas do crime... com um empurrãozinho do Coringa, é claro.



Por fim, a conclusão da saga do Cavaleiro dos Trevas: The Dark Knight Rises. O vilão agora é Bane, um personagem nascido das trevas de uma prisão com uma única ideia na cabeça: reduzir Gotham City a cinzas. E o cara tem cacife pra isso: começa detonando Bruce Wayne, deixando-o no fundo do poço, literalmente. Com o Batman fora da jogada, Bane começa a destroçar Gotham City recrutando bandidos e jogando bombas em tudo quanto é canto. Mas o Cavaleiro das Trevas não haveria de se manter inerte, assistindo à destruição de sua amada cidade, não senhor! Ele ressurge! E quando ressurge, meu amigo, a briga é pra valer! As sequências de cenas de ação são alucinantes. O espectador mal consegue respirar ou dar uma piscadinha.

O filme termina de uma maneira perplexa, deixando um subjetivismo no ar. Será que a saga terminou mesmo? Terá o Cavaleiro das Trevas desaparecido para não mais voltar? Ou Bruce Wayne vai passar o manto do morcego a um novo vigilante? Mistéééério...


Por tudo o que esta trilogia representa, dá até vontade de agradecer pessoalmente ao Christopher Nolan por isso. Depois do que ele fez, duvido que outro diretor vá ter os colhões de transformar o Cavaleiro das Trevas numa figura cômica de tetinhas na armadura e cartão de crédito oficial. Nolan elevou o personagem a um outro patamar; deu-lhe uma personalidade humana, convincente; tornou-o um símbolo de justiça. Eu sei que o maluco nunca, jamais, never lerá este post, mas... parabéns, cara!

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