30 de março de 2014

OFICINA G3 - HISTÓRIA E RESENHA GERAL

Oficina G3 é a melhor banda brasileira de rock da atualidade! Não adianta contestar. Tudo indica exatamente isso. Qual outra experimentou tantas vertentes do rock e do metal e soube se metamorfosear de maneira tão magistral pra não cair na mesmice? Nenhuma! Pode procurar. Qual outra banda nacional ganhou discos de ouro em todos os álbuns lançados? Acho que nenhuma, não procurei; mas Oficina G3, sim. Quem é o melhor guitarrista brasileiro de todos os tempos? Pode até não ser o Juninho Afram, mas, certamente, o mestre das cordas metálicas que conduz a banda desde os primórdios tem, sim, seu lugar na história do rock nacional.

Oficina G3 é uma banda gospel. Nada a ver com "guspir", como alguns ignorantes gostam de brincar (ignorantes mesmo, pois nem sabem que o certo é "cuspir"). O gospel é uma vertente musical que expressa a crença cristã/evangélica/católica/em Deus. Ou seja, as letras das músicas têm uma temática cristãs (mesmo aquelas mais subjetivas). O termo "cristão" é meio complicado de definir, pois praticamente todos os religiosos, especialmente no Brasil, se dizem meio cristãos, desde que, em algum ritual ou por simples adorno, usem uma imagem de qualquer coisa que lembre Jesus Cristo... apesar de que ninguém sabe como foi a aparência real de Jesus. Mas, enfim, estamos falando de Oficina G3 ou de cristianismo??

Seja você cristão, ateu ou adepto de alguma religião totalmente diferente do cristianismo, é difícil ficar indiferente ao som de Oficina G3. A menos, claro, que você deteste rock e, neste caso, sua vida deve ser um saco. Os caras mandam muito bem! Juninho Afram metralha notas musicais em solos e riffs alucinantes. O grupo viaja nas vertentes do hard rock, do metal melódico, do new metal, do metal progressivo,  do metalcore, do pop rock, do rock and roll, do pagode e do funk carioca (ok! Zoeira!), sem perder - muito - a personalidade.

Oficina G3 foi fundado em São Paulo, lá pelo fim dos anos 80, por Juninho Afram, Wagner Garcia e Walter Lopes. Já no primeiríssimo álbum de estúdio, Nada é Tão Novo, Nada é Tão Velho, Luciano Manga assumiu o lead vocal até o álbum Indiferença, mas acabou deixando a banda por motivos pessoais. Entra PG. O grupo lança um álbum acústico e dois plugados: O Tempo e Humanos. Sai PG, por sei lá quais motivos, entra o próprio Juninho Afram assumindo cargo duplo (guitarrista e vocalista) no álbum Além Do Que os Olhos Podem Ver, até Mauro Henrique assumir o vocal e a banda lançar os álbuns Depois da Guerra e Histórias e Bicicletas, por enquanto. Mauro Henrique é considerado, por muitos, o melhor vocalista do G3... mas vamos ver quais serão os "motivos pessoais" do cara pra sair da banda um dia desses. E, isso, que não mencionei o Túlio Régis, que fazia uma pontinha nos vocais e foi o seu principal compositor ainda antes da banda lançar o primeiro disco... e que saiu, também por motivos pessoais.

Se o lance dos vocais é complicado, pior ainda é com a bateria! Começou com Walter Lopes nas baquetas, até o álbum O Tempo. Sai o Waltão, entra Johnny Mazza, mas como baterista freelancer (existe isso numa banda? Nunca vi antes). Sai Mazza, entra Lufe, também como freela. Sai Lufe, entra Alexandre Aposan... como freelancer, claro! Só que o cara se saiu tão bem que acabou ficando de "freela oficial" nos álbuns Elektracustika e Depois da Guerra, só sendo "efetivado" a partir do álbum Histórias e Bicicletas.

Já no teclado e no baixo o negócio é mais tranquilo. Começaram com Wagner "Maradona" Garcia como baixista até o Nada é Tão Novo, etc. etc. Duca Tambasco era apenas um convidado especial ali. Com a saída do "Maradona", Duca assumiu o posto e não largou o osso até hoje. Nos teclados, Márcio "Woody" de Carvalho comandou até o lançamento do mesmo disco. Já do álbum Indiferença pra frente, o posto é de Jean Carllos.

Eis a formação atual da maior banda brasileira de rock da atualidade, pra quem se perdeu no caminho: Mauro Henrique (Lead-Vocal), Jean Carllos (Teclado e Vocal "gutural"), Duca Tambasco (Baixo e Vocal de apoio), Alexandre Aposan (Bateria) e Juninho Afram (Guitarra, Violão, Banjo, Qualquer-Outro-Instrumento-de-Corda-Exceto-Baixo, Vocal, Direção, Produção... tudo).

Essa é, mais ou menos, a história da banda (pelo menos, foi o que vi no Wikipédia). Nem planejava escrever tanto sobre isso, mas me empolguei. Agora, já foi. A ideia mesmo era fazer uma resenha da discografia completa dos caras. E é o que vamos começar a ver. Não sou crítico de música, não entendo nada de produção musical, mas sei o que é rock de qualidade! O critério é simples: se eu gosto, é de qualidade. Se eu não gosto, é mequetrefe, é bostinha, hehehe. E Oficina G3 eu curto. E muito!


NADA É TÃO NOVO, NADA É TÃO VELHO

Trata-se do primeiro disco de estúdio do Oficina G3. Antes dele, lá pelos idos de 1990, o grupo havia lançado um LP ao vivo, e não sabiam muito bem se a coisa toda vingaria. O nome "Oficina G3" era pra ser provisório, sendo G3 uma abreviação de Grupo 3, por seus integrantes serem o terceiro grupo de louvor da Igreja Cristo Salva (não confundir com o projeto G3, do guitarrista alien Joe Satriani) e Oficina, uma referência a ser um lugar de conserto e reparos (e Deus pode consertar o que está errado no ser humano). Mas o nome acabou pegando, como você já sabe.

Nada é Tão Novo, Nada é Tão Velho já trazia o estilão rock pesado da banda numa época um tanto perigosa, já que as igrejas, em geral, tinham a ideia imbecil de que isso é coisa do Capeta e que "cristão mesmo" era ouvir hinos tradicionais do Cantor Cristão e da Harpa Cristã. Muitas delas proibiam seus membros de ouvir Oficina G3 por causa dessa ideia de otário. Mas, tudo bem. O lance dos caras era usar o rock n' roll para levar a Palavra de Deus aos perdidos. E, nisso, a banda se sai bem até hoje.

O disco tem uma sonoridade bem cavernosa. Sabe aquele som meio sujão que parece ecoar nas paredes do banheiro? Mais ou menos assim. É claramente um trabalho hard rock, do tipo que se ouvia muito naquele tempo. A primeira faixa é uma de minhas favoritas de toda a discografia dos caras: Mais Que Vencedores. A letra exalta o que Deus pode fazer na vida dos que O aceitam, embora viajem um pouquinho na maionese ("voar pelos montes", "tocar no que não existe" etc.) e há um solo de guitarra ali, meu amigo, de pirar o cabeção. Já se nota que o Oficina G3 tinha uma proposta realmente diferente e ousada para os padrões das igrejassauros medievais. E que Juninho Afram estava ali pra chutar bundas e encontrar seu lugar na história do rock pauleira nacional! Depois, vem Pastor, com uma entrada de guitarra e um acompanhamento de teclado bem bluezão, com uma letra baseada num dos versículos mais famosos da Bíblia, o Salmos 23: "o Senhor é meu pastor e nada me faltará". Segue com uma baladinha muito bacana: Resposta de Deus, sobre Jesus Cristo como resposta do amor de Deus para com a humanidade. Valéria já retorna ao rock n' roll porrada, falando sobre uma garota que caiu nas armadilhas do mundão, até sua salvação em Cristo. Razão se refere aos motivos que levaram à deterioração da humanidade. Deus Eterno é uma power balada, praticamente uma música congregacional (e, em algumas igrejas, realmente se ouve essa música nos louvores). A faixa parece meio perdida no repertório, sem um solo de guitarra e quase nada que lembre rock n' roll. Mas é uma música muito bonita. Consciência de Liberdade já retorna ao rock pauleira, com um solo parecido com os de bandas hard rock setentistas, como Deep Purple e Led Zeppelin. Perfeita União combina o feeling de uma baladinha com o peso de riffs de guitarra. Há um solo de guitarra maravilhoso ali, pelo meio da música. A letra explica o título do álbum: nada é tão novo, nada é tão velho. A ideia é de que tudo é um ciclo e que, um dia, acabamos retornando aos princípios e à Deus. Naves Imperiais começa com um solinho de violão, seguido de um solo muito bacana de baixo, até soarem os riffs pesados de guitarra. A letra parece ter sido tirada de um desses hinos de louvor que se costuma ouvir nas igrejas. Cante e Viver por Fé vão pelo mesmo caminho: riffs e solos nervosos com uma letra de louvor. Parar e Pensar encerra o disco, com um riff cadenciado que orquestra toda a música.

RECOMENDO: Mais Que Vencedores, Pastor, Naves Imperiais e Perfeita União.


INDIFERENÇA

Este aqui foi a pólvora que faltava para o Oficina G3 estourar e romper barreiras! Muitos fãs da banda só se tornaram fãs mesmo quando este álbum saiu. Inclusive eu! Era o disco mais Oficina G3 de todos, com uma sonoridade mais pesada e limpa, flertando com o hard rock e o thrash metal, e músicas com letras claramente cristãs (sem subjetivismos).

A sacada deste álbum foi manter um cara só pra segurar o vocal: Luciano Manga. No Nada é Tão Novo etc. etc., o negócio era meio bagunçado. Algumas músicas foram cantadas pelo Manga, outras, pelo Juninho e, outras, até pelo Walter, da bateria. Entendo que uma das coisas que dá mais identidade a uma banda é o vocal! Cada um tem um timbre diferente e uma interpretação pessoal. Uma banda que conta com vários "vocais principais" soa um tanto estranha, meio que sem saber pra onde está indo. Foi com o Indiferença que puseram ordem na casa (ou na oficina, se preferirem).

O disco abre já com riffs nervosos e um solinho de teclado com Davi (também uma de minhas favoritas em toda a discografia do Oficina). A letra fala das dificuldades da vida como gigantes, que só podem ser vencidos "na força do braço de Deus". Já se percebe uma mudança de roupagem da banda, com riffs mais dinâmicos e solos de guitarra executados em alta velocidade. Segue com , com um riff hardão, contando sobre a necessidade de vivermos pela fé. Magia Alguma é a power balada do disco. Sem solos de guitarra, com um acompanhamento de teclado por toda a música e um coralzinho lá pelo meio. E, logo depois, vem o instrumental arrasador de Glória; a perfeita combinação entre teclado e guitarra sendo solada em alta velocidade, técnica e feeling. Um marco da história do rock nacional. Por um bom tempo, Juninho Afram teve de repetir este instrumental maravilhoso, nota por nota, nos shows. Depois do solo, segue com uma versão metaleira da música Glória, aquela mesmo que já conhecemos: "glória, glória, aleluuuia". Profecias também é nervosa, com uma introdução em teclado seguido de um riff enérgico de guitarra. A letra fala sobre a volta iminente de Cristo. Espelhos Mágicos, uma de minhas favoritas do álbum, fala do egoísmo do homem e sua cegueira quanto aos planos de Deus. O riff é dinâmico, muito bem acompanhado pelas baquetas, e o solo de guitarra é raivoso, alternando feeling com muita técnica. Sangue nos olhos! Novos Ceus é outra baladinha, do tipo que se parece uma música congregacional. Começa com uma percussão muito gostosa de se ouvir orquestrando toda a música, um solinho de baixo e uma sonoridade bem acústica. Indiferença volta com os riffs nervosos. A letra deve ser a mais "política" de toda a discografia da banda, recheada de crítica social. Não chega a ser uma música gospel, pois, curiosamente, em nenhum momento menciona, nem mesmo subjetivamente, Jesus, Deus ou algum versículo bíblico. Nem por isso, deixa de ser digna de estar no álbum, nos constrangendo a amar o próximo (especialmente os mais pobres). Duca's Jam é outro instrumental, mas o foco é o baixo de Duca Tambasco, que executa um solinho básico em uns 30 segundos. Seguem com Contra-Cultura, numa batida de guitarra muito legal, como se acompanhasse o solinho de baixo de Duca's Jam, com destaque para um duelo de baixo e teclado lá no finalzinho da faixa.  Fala dos valores cristãos em confronto com os valores do mundo. Já Your Eyes é o momento "vergonha alheia" do álbum. É a primeira vez que a banda lança uma música cantada em inglês, mas a pronúncia do Manga é horrível! Música dispensável. Mas há uma segunda parte, em que Juninho Afram nos presenteia com mais um solaço de guitarra. Não Temas volta aos riffs nervosos, introduzido por um solo de bateria. É aquele estilão hard rock que acompanhou todas as demais músicas do álbum. O disco se encerra com Rei de Salém, uma balada bem acústica, desplugada, e naquele estilo música congregacional tradicional. A música termina aos 2min30seg, mas há uma segunda parte lá pelos 3 minutos, com um coral rapidinho, à lá Acapella. 

RECOMENDO: todas as músicas, exceto Your Eyes, claro! Mas eu diria que Davi, Glória Instrumental, Espelhos Mágicos e Indiferença são as minhas favoritas.


O TEMPO

Indiferença foi um grande sucesso de público e de crítica. Mas foi fichinha, comparado ao deste álbum aqui, em que a banda começou a ser ouvida também pelo público secular, com direito a um clipe na MTV e um show no Rock In Rio (a primeira banda gospel a dar as caras neste tipo de evento). Mesmo assim, o trampo desagradou a muitos fãs das antigas. A bronca era de que o Oficina estava deixando de lado suas raízes hard rock para abraçar o popzinho açucarado, mais fácil de agradar às massarocas e, consequentemente, de vender. As letras ficaram mais subjetivas, também, de forma a soar melhor aos ouvidos dos que não curtem muito esse negócio de igreja. Luciano Manga estava fora do projeto há um tempinho, já! Decidiu seguir a vida de pastor, dando lugar a um vocalista mais versátil e carismático: o PG. Talvez, por isto mesmo, o tempo tenha mudado para a banda.

Não pense você que me esqueci dos álbuns Acústico e Acústico ao Vivo, que vieram um pouco antes, já contando com o PG assumindo o vocal. São bons trampos, com releituras desplugadas competentes dos clássicos e duas músicas novas: Autor da Vida Quem, além de Pirou, que veio lá do primeiro bolachão (Oficina G3 Ao Vivo, de 1990). Mas só são lembradas em shows exclusivamente acústicos daquele tempo. Não se encaixam nos cânones da banda. Não se tem muito o que falar de releituras e compilações. Além de que o post já está enorme e a discografia da banda ainda está nos 20%. O vexame ficou com Mi Pastor e Más Que Vencedores, cantadas num portunhol ridículo e absolutamente desnecessário.

Voltando com O Tempo, a primeira faixa insere uma "intro" curtinha à música O Caminho. Nos demais álbuns do Oficina G3, esse negócio de introdução, com solos de teclado e guitarra, piados, latidos e sons de helicópteros passaria a ser uma constante, mas foi aqui que tudo começou. O Caminho fala de um homem perdido, que clama a Deus que lhe mostre para onde ir. É um riff nervoso, bem ao estilo Juninho Afram, mas não cavernoso e ecoado como nos clássicos. Aliás, a sonoridade de todo o álbum é muito mais limpa do que nos demais trabalhos do grupo. Atitude fala da necessidade do homem "abrir os olhos" para Deus e a vida eterna. Começa com um solinho de baixo, seguido de um riff nervoso de guitarra. O solo do meio é muito bacana, começando devagar, juntamente com o baixo, e se desenvolvendo com muito efeito "wha-wha". A voz de PG tem uma tonalidade bem mais alta do que do Manga, combinando perfeitamente com a nova roupagem da banda. Ele Vive fala do Deus que pode até ter sido crucificado, mas ressuscitou. Segue a mesma linha da faixa Atitude, mas com um trabalho de baixo mais primoroso e um solinho de guitarra bastante dinâmico, cheio de subidas e descidas de escala. O Tempo é o carro-chefe do álbum. É este mesmo que virou clipe na MTV e fez um sucesso estrondoso. É uma música até que bonitinha, com voz, violão, um coral, um solinho de violão no meio... mas é um porre! Na minha humilde opinião, essa é uma das faixas mais chatas já compostas pelo G3, e até hoje não entendi o que eles queriam dizer com "a esperança encontrei no Teu olhar". Tipo, Jesus teria lançado aquele "olhar 43" pros caras? É o olhar dEle que nos dá esperança ou o sangue derramado na cruz? É complicado. A letra é subjetiva pra caramba. A música não é ruim, pra falar a verdade. É até gostosa de se tocar no violão. Mas falta guitarra, falta peso, falta o selo de qualidade Oficina G3. De qualquer forma, ela tem seus méritos e é considerada a música de maior sucesso de toda a história da banda. Mas bem pior que essa é Preciso Voltar. Dá sono ouvir essa música. A voz do PG ficou monótona nela. Tua Voz, a última faixa do disco, é a segunda música mais chata. 90% dessa música consiste no refrão "eu quero ouvir Tua voz" e o negócio é só na voz e no violão. Acredito que, nos shows ao vivo, o resto da banda se aproveite dessa música para irem dar uma voltinha e tomar uma água, um suquinho... E, voltando para Preciso Voltar (trocadalho do carilho), segue com Perfeito Amor, começando com uma introdução muito bacana de violão e continua só no violão, na voz, no baixo e na percussão. É uma música dinâmica, reflexiva e com bom uso dos instrumentos de corda. Já em Necessário, a porrada come solta. É rock n' roll da pesada, com um acompanhamento de baixo bastante dinâmico. E o que é necessário, afinal? Nascer de novo no espírito! Hey Você também é da pesada e o solo de guitarra é efetuado só no efeito wah-wah. Brasil começa com um solo muito louco de baixo, acompanhado de um solo de guitarra bastante distorcido. A letra é meio política, exaltando as qualidades do nosso país e, também, seus defeitos. Novamente, o efeito wah-wah na guitarra é marcante. Sempre Mais volta àquela monotonia de Preciso Voltar, mas tem seus bons momentos, especialmente no solinho de abertura e no solinho de baixo no meio. Ingratidão volta ao peso da guitarra, com um riff muito bacana acompanhando a introdução de baixo e um solo de guitarra bem dinâmico no meio. O álbum se encerra com Tua Voz, que, como já disse, é chata pra caramba.

RECOMENDO: O Caminho, Ele Vive, Necessário e Brasil.


HUMANOS

Vai ser complicado falar desse álbum. Já vou disparando: é o pior trampo do Oficina G3 até hoje! Os caras pareciam estar tão preocupados em vender discos e ganhar mais fãs, que se enveredaram, definitivamente, ao caminho do popzinho açucarado, do rockzinho básico, que agrada mais às tietes ensandecidas do que aos fãs do rock n' roll, que sempre acompanharam a banda, mesmo que tendo de engolir O Tempo. Você olha o encarte e diz: "o que é isso? Backstreet Boys?"

As letras estão muito mais subjetivas do que nos demais trabalhos da banda. O nome Jesus só é mencionado uma vez ou outra, nas faixas Eu Sei e Ele se Foi. Tem um Deus aqui, um Senhor, ali, mas, de resto, tudo é substituído por Você, mesmo. Mas nem é este o problema, pois, sabendo-se que é uma banda gospel, o tal "Você" claramente se refere à Jesus e à Deus. O chato foi o abandono definitivo ao hard rock, o abraço ao pop rock e uma certa indiferença àquela missão que a banda dizia cumprir: levar o evangelho através do rock pauleira.

Mas, voltando nossa atenção às faixas do álbum, a "intro" mostra sons de pulsação em um eletrocardiograma e dá pra notar que alguém está passando dessa pra uma melhor... ou pior, vai saber! É a primeira faixa "intro" com nome: Pulso. Nos demais trampos do Oficina (exceto Depois da Guerra), a faixa "intro" se chama só Intro mesmo. Segue com Onde Está, curiosamente, uma de minhas músicas favoritas de toda a discografia da banda. O som é pesado, impactante, com ótimos solos de teclado com guitarra. Um riff enérgico, um arranjo de teclado impressionante e uma letra que nos faz pensar o que estamos fazendo da vida. Rapaz! A primeira impressão do álbum é ótima, com esta música. E essa impressão continua com Apostasia, outra pedrada do Oficina, com um riff pauleira e uma letra que nos faz refletir, como cristãos, qual é a razão de não levarmos o evangelho à toda criatura. Vergonha? Pode seeer!! Segue com Te Escolhi, que - vá lá - é uma pauleira, também. Uma baladinha fácil de agradar, mesclando calmaria com um solo dinâmico cheio de arpeggios. Muito boa. Uma das melhores baladas de toda a discografia da banda. Se o álbum seguisse essa linha, seria um trabalho primoroso. Mas, infelizmente, jogaram na nossa cara Eu Sei, Ele Se Foi, Criação, Don't Give Up, Memórias e Minha Luta, tudo de uma vez!! Baladinhas mais adocicadas do que Coca-Cola com açúcar e mel! Nada contra baladinhas. Mas, quando se compra um álbum de uma banda como o Oficina G3, a gente espera porrada mesmo! Espera riffs raivosos, solos de guitarra metralhando notas. Todo mundo sabe que o G3 tem baladinhas, mas é aqui e ali. Não em quase 80% do álbum! E sério mesmo que os caras acharam que soaria bacana cantar um refrão em inglês numa música em português com Don't Give Up?! Ninguém chegou lá e avisou: "isso é ridículo! Não faz isso, não!"? Em Simples, a banda até que dá uma guinada interessante, com uma introdução de violão seguindo de um riff de guitarra legal e um refrãozinho grudento. O solo de teclado é gostoso de se ouvir, abrindo caminho para um solo de guitarra nervoso. De repente, eis que surge Até Quando, a faixa mais porrada do disco e de toda a discografia anterior da banda. É aqui que a banda começa a flertar com o nu metal, e quase dá pra sentir o PG tentando soltar um screamo (sabe aquele "gutural" do Linkin Park? É parecido). Nos trampos a seguir, especialmente no álbum Depois da Guerra, o nu metal passaria a ser uma das linhas adotadas pelo Oficina G3, abandonando de vez o hard rock e, até, o pop rock açucarado. A pauleira vai decaindo com Desculpas, até voltar às baladinhas monótonas em Pra Você e Teu Amor.

RECOMENDO: Onde Está, Te Escolhi e Até Quando.


ALÉM DO QUE OS OLHOS PODEM VER

Pedro Geraldo - vulgo PG - num dia inspirado, constatou que estava ficando famoso no Oficina G3 e decidiu seguir carreira-solo. Duca Tambasco ficou emputecido, pois só foi saber dos destinos do vocalista por um comunicado. O Jean Carllos também não gostou. Mas EU gostei! Não posso negar. Pois é agora que, finalmente, o Oficina G3 estava voltando a ser Oficina G3. O peso, o virtuosismo de seus integrantes, as letras reflexivas, os solos metralhados de guitarra... tudo estava voltando a ser como era antes, com algumas mudanças, claro (todo mundo tem de se modernizar). O cargo de vocalista foi assumido pelo próprio Juninho Afram e, convenhamos, a voz do cara é muito bacana. Tem gente que não gosta de ver guitarrista cantando, mas, desde Nada é Tão Novo, Nada é Tão Velho, Juninho Afram é a voz que mais se encaixa no projeto Oficina G3 desde sempre. Vamos combinar!

E Além Do que Os Olhos Podem Ver é um disco animal! Tem balada? Claro que tem. Mas não são, nem de longe, comparadas à overdose de doçura de qualquer baladinha infame de Humanos. E demoram pra chegar, pois as primeiras faixas é puro petardo! A "intro" é meio nonsense. 25 segundos de latidos e já segue com Mais Alto, com um riff pesado, muito bem executado. O solo de guitarra é dinâmico, com uma entrada de teclado sensacional. Só achei que o refrão ficou meio repetitivo: "vou andar, vou correr, vou voar, mais alto", mas é uma das melhores músicas da banda, sendo repetida no álbum Elektracústika e na coletânea Som Gospel. Réu ou Juiz segue pela mesma linha: muita pauleira, com riffs bem trabalhados e uma quebradeira legal na bateria. Meu Legado é mais levada ao metal progressivo, com uma participação incrível de todos os integrantes, especialmente num duelo de baixo e guitarra muito louco! E o baterista acompanhando a quebradeira toda com maestria. Através da Porta é outra pauleira. O baixista, aqui, deve ter tido um pouco mais de trabalho do que o habitual. E o Jean Carllos parece mais inspirado, acompanhando a música toda com um arranjo muito bacana nos teclados. E o solo do Juninho, então? Uma subida e descida de escala maravilhosa. Com Além Do Que os Olhos Podem Ver, há uma combinação impecável de partes lentas com partes rápidas. Quase uma balada, mas as distorções rítmicas e o peso da guitarra conferem um outro status à música. É de voar além! O peso decai, um pouco, com A Lição, mas o rock de qualidade continua firme, com partes lentas mescladas a riffs de guitarra bem executados e um ótimo trabalho de teclado. O solo do Juninho é puro feeling! Maravilhoso. O Fim é Só o Começo começa com um solo de guitarra no melhor estilo blues. Mas logo se nota que não é o estilo Juninho Afram de se tocar. Claro! Pois é Déio Tambasco, irmão do Duca e ex-Katsbarnea, quem está comandando os arranjinhos, numa participação pra lá de especial. Há uma parte de narração, como se vê em filmes, falando sobre a volta de Cristo e a música se encerra num tom gótico. E, pra quem esperava uma balada, chegou Lugar Melhor, que quase nos remete ao trabalho da banda nos tempos de O Tempo (mais um desses trocadalhos do carilho! Mal aí!). Mas a roupagem é outra, com instrumentais mais bem trabalhados. Amanhã é uma balada também, mas um pouco mais pesada que Lugar Melhor, com muita quebradeira na bateria. Sem Trégua volta à pauleira, aos riffs poderosos, à quebradeira progressiva e há uma participação de Marcão (de Fruto Sagrado) no vocal. De Olhos Fechados começa com uma batida meio eletrônica e um coralzinho. Assusta um pouco, no começo, especialmente pela parte eletrônica. Parece que a banda está se enveredando por caminhos duvidosos. Mas a música vai tomando um corpo forte, pesado, metaleiro, à medida em que avança. Ver Acontecer começa soando a Evanescence, especialmente pelo teclado e pela batida. Há uns refrãozinhos parecendo narração. Estranha um pouco, mas a faixa combina magistralmente partes lentas com todo o peso da cozinha. A letra é uma crítica social da boa. Terminando com Queria te Dizer, a balada mais balada do disco, o Oficina G3 traz mais algumas inovações no repertório, especialmente pelas partes eletrônicas.

RECOMENDO: Mais Alto, Além Do Que os Olhos Podem Ver, A Lição De Olhos Fechados.


DEPOIS DA GUERRA

Antes de começar a resenha deste álbum aqui, vale uma lembrança ao disco Elektracústika. É mais um daqueles discos que se aproveitam dos trabalhos passados, uma interpretação acústica de clássicos. A ideia do grupo foi comemorar os 20 anos de estrada com um álbum em formato mais melódico. Mas, infelizmente (e é bem infeliz, eu diria), não há uma única faixa baseada no trabalho de Indiferença. É estranha essa indiferença (não resisto ao trocadilho! É mais forte do que eu!) para com um dos melhores álbuns da carreira da banda. Pelo menos, os caras ressuscitaram Resposta de Deus e A Razão, lá do velho Nada é Tão Novo, Nada é Tão Velho. Há, ainda, cinco faixas inéditas: Cura-Me; A Deus; Eu, Lázaro; Deserto e Me Faz Ouvir. Creio que, dentre as faixas inéditas, a melhor seja Eu, Lázaro, com um solo de guitarra (sim... é um acústico plugadão) de puro feeling, tanto no meio, quanto no encerramento da música.

Voltando a Depois da Guerra, temos um novo Oficina G3. Novo mesmo! Completamente novo! Sabe aquelas raízes hard rock pop rock? Esquece tudo! A banda abraçou, definitivamente, o nu metal e o metal melódico progressivo. Logo nas primeiras faixas, tive de olhar o encarte algumas vezes para ter certeza de que estava ouvindo Oficina G3. Até aqui, a banda mudava conceitos e acrescentava algumas novidades, mas não perdia a identidade. Você ouvia e dizia: "é Oficina G3!" Com Depois da Guerra, a gente passa a dizer: "é Oficina G3?!"

Agora, a banda conta com Mauro Henrique comandando o vocal... e que vocal! O cara é o melhor vocalista que já passou pelo Oficina G3 e pode ter sido o principal responsável pela recauchutada geral da banda. Tanto, que Depois da Guerra estava sendo composta para se adaptar à voz do Juninho Afram - de novo. Mas o Maurão entrou chutando bundas e o grupo teve de se repaginar para se encaixar ao estilo dele.

E o resultado? Ficou ruim? NADA! Depois da Guerra pode ser considerado o melhor álbum do Oficina G3 até o momento. E, também, o mais pesado, o mais enérgico, o mais dinâmico, o mais gritado. É um petardo atrás do outro. D.A.G. (Durante a Guerra) é a "intro" do álbum. É calma, mas se percebem sons de helicópteros ao fundo, como se alguém estivesse procurando descanso em meio à guerra... até chegarem os riffs pesados de guitarra que dão início à Meus Próprios Meios. Esta é uma porrada surpreendente! Riffs dinâmicos, quebradeira na bateria, virtuosismo tecladístico e uma presença maciça dos famosos "screamos" de Jean Carllos. Tem gente que chama aquilo de gutural. Não é! Gutural é o que a gente ouve em bandas death metal, por exemplo, com um vozeirão mais grave. O que Jean Carllos solta é gritaria mesmo, do tipo que a gente ouve em bandas nu metal. Isso não se ouvia em outros trabalhos do Oficina G3, mas, neste álbum, é bom se acostumar, pois parece que os caras curtiram a novidade. E apresento, senhores, Eu Sou. Opinião é que nem bunda e tal, mas, pra mim, essa é a melhor música da história do Oficina G3. Aliás, a melhor música cantada em português feita por uma banda de rock nacional! A entrada com riffs dinâmicos, o acompanhamento do teclado, a voz de Mauro soando tranquila em meio ao peso da cozinha, mas alcançando um tom muito bacana no refrão, o solo de guitarra absolutamente impecável, seguindo de um refrão mais lento, até voltar ao puro metal. Uma música pesada, mas não tão agressiva como em Meus Próprios Meios. Muito, mas muito, muito, muito absurdamente louca! Meus Passos segue com um riff cadenciado, muito screamo, quebradeira nos tempos e uma mensagem baseada na passagem em que o apóstolo Paulo recita, em Romanos 7:19: "o bem que quero, esse eu não faço". Continuar é a primeira balada do disco. Uma música linda! O refrão é grudento, do tipo que a gente se pega cantando no meio da rua. "Luto pra sooobreviveeer...". E que solo de teclado... e que solo de guitarra. Muito feeling e fritura. De Joelhos volta ao peso. Belos riffs, muita quebradeira e várias referências bíblicas sobre a vitória em Cristo. O final é uma pedrada! Quase um dueto de guitarra e bateria. Tua Mão é outra balada. Leve, quase adocicada, mas deliciosa. Há passagens dinâmicas de riffs de guitarra e o solo é lindo demais! A porrada volta com Muros. Todos os músicos estão inspiradíssimos aqui. O baixo tem um destaque legal, assim como os arranjos de teclado, o vocal do Maurão e, claro, os riffs de guitarra. Lá no meio, a música dá uma pausa total por uns 5 segundos (que parecem uma eternidade) para dar lugar ao solo executado à velocidade da luz. O finalzinho é muito louco! Alexandre Aposan tem um domínio de pedaleira impressionante! Depois da Guerra começa com uma entrada animalesca de guitarra, acompanhada de solo e arranjo de teclado e é o Juninho Afram quem começa cantando. Fala da "guerra", do egoísmo, da falta de amor entre pessoas que deveriam ser irmãos em Cristo. Quem vencerá? Quem perderá? Uma guerra entre irmãos é uma guerra perdida! A Ele é uma declaração de amor à Deus, quase um hino congregacional. Incondicional segue a mesma linha baladinha de A Ele, cantada em primeira pessoa, como Deus nos ensinando sobre Seu amor. Obediência é um retorno ao peso metaleiro. A letra é praticamente uma pregação bíblica sobre a obediência que devemos prestar à Deus. Better é a primeira faixa cantada em inglês do álbum. Pesada, com riffs bem executados... mas cantada em inglês, poxa! Nada contra músicas em inglês, nem contra músicos brazucas cantando em inglês (como o Angra, por exemplo). Meu problema é com bandas que cantam em português cantando em inglês. A música parece meio perdida ali, em meio ao repertório. O mesmo acontece em People Get Ready, um cover de Curtis Mayfield. Pelo menos, a pronúncia do Maurão é bem melhor do que do Manga e do PG juntos. Unconditional é uma versão em inglês da própria música Incondicional. Acho que os caras ainda vão fazer uma turnê nas terras do Tio Sam, hein!

Os fãs costumam chamar este álbum carinhosamente de D.D.G., especialmente depois do DVD ao vivo D.D.G. Experience, lançado em 2010. Seguindo essa linha, bem que poderiam inventar uma sigla também para Nada é Tão Novo, Nada é Tão Velho (NTN-NTV, olha que legal!) e Além Do Que os Olhos Podem Ver (ADOPV, por exemplo). Teria me poupado tanto trabalho pra escrever este post...

RECOMENDO: parte difícil, essa. Tirando as músicas em inglês, eu recomendaria todas, inclusive as baladinhas. Meus Próprios Meios, Muros, Depois da Guerra e, claro, Eu Sou seriam as minhas favoritas.


HISTÓRIAS E BICICLETAS:
REFLEXÕES, ENCONTROS E ESPERANÇAS

É o último trampo do Oficina G3, por enquanto. A banda segue firme com Mauro Henrique no vocal e Alexandre Aposan nas baquetas, o que é muito bom. Aliás, é agora que o Alexandre se apossou do título de baterista oficial da banda, o que é melhor ainda! Mas a guerra já passou e o Oficina foi dar uma pedalada em Londres, com a RAK Studios, que já trabalhou com artistas britânicos de renome, como Muse, Simply Red, Radiohead e Adele. Reflexivos e esperançosos, resolveram nos presentear com este álbum, que é muito legal, mas longe daquela porradaria toda de Depois da Guerra, o que desapontou a alguns (poucos) fãs.

O nome do disco e a capa me assustaram um pouquinho, confesso. Sei lá... deu-me a impressão de que seria um álbum cheio de baladinhas e poesias; não parece? E vale registrar, aqui, um fato lamentável: a morte da esposa do Mauro Henrique, após quase dois anos de luta contra um câncer de pulmão e na coluna cervical. Considerando-se que quase 80% das composições, neste álbum, foram de Mauro Henrique, foi-se de pensar que seria, mesmo, um disco mais reflexivo e, até mesmo, mais parado. O nome do álbum tem a ver com a proposta da banda de contar, através das faixas, um pouco da história dela mesma através de suas músicas. E "bicicletas" está lá em homenagem à Londres. Os caras curtiam ir ao estúdio de bicicleta para apreciar as paisagens britânicas. E não é que as letras são, realmente, muito mais poéticas e intimistas do que todos os demais trampos do G3?

O disco começa com uma "intro" soando um sininho. 10 segundos depois, entra Diz, com um bom riff de guitarra (que lembra bastante "Honor Thy Father", do Dream Theater) seguido de solos de bateria. O baixo está bem presente aqui e o solo é bem quebrado, com pausas entre os riffs. A letra fala do poder que nossas palavras podem causar. De cara, já se mostra que o Oficina passou por mais uma pequena reforma, registrando-se uma queda da brutalidade do álbum predecessor, mas longe de se tornar um trabalho morno e adocicado. O tom reflexivo e intimista ficou só nas letras, mesmo.. não no ritmo. Ufa! Água Viva é a melhor faixa da bolachinha, na minha opinião. Aposan está inspirado na pedaleira dupla. Juninho Afram, então, arrebenta no solo. O refrão é fantástico: "água viva minha sede vem matar; vem comigo, não deixe a vida me devorar". E terminam com um solo de teclado melódico, como que um descanso para a alma. Música linda, sentimental! Encontro soa meio Coldplay, especialmente no coralzinho e na entrada de bateria. É lenta, mas nada monótona. Só fica meio esquisito na parte em que Roberto Diamanso recita uma poesia no meio da música, mas nada que estrague o som. Certeza de que vai colar na sua cabeça. Confiar é a primeira balada de verdade do álbum. Mas é a melhor balada já composta pelo Oficina G3. Começa lentinha,com violão, e progredindo no peso, com os demais músicos participando conforme sua vez. De repente, um solaço absurdo de guitarra, encerrando a faixa em grande estilo. Música perfeita! Não Ser volta ao peso metaleiro, com uma entrada espetacular de baixo. O vozeirão de Mauro Henrique rasga com potência aqui. A letra fala do homem sempre querer ser o que não é. No finalzinho, Jean Carllos ainda arrisca um screamo. Compartilhar é pesada também, especialmente na parte instrumental, enquanto a voz de Mauro soa tranquila, falando sobre "compartilhar, partilhar do choro e a alegria". O solo de guitarra é de uma velocidade absurda! Descanso foi composta por Mauro e Jakylene, sua esposa. É bastante reflexiva, com uma mensagem sobre o descanso providencial de Deus nos momentos em que o fardo sobre nós é muito pesado. Mauro conduz a música como se dirigisse uma mensagem de esperança sobre a dor de sua própria perda. Aos Pés da Cruz é um cover de Kléber Lucas, consagrado artista gospel, numa roupagem mais moderna e seguindo o ritmo de Descanso. Sou Eu é mais pesada, com uma quebradeira rítmica interessante no baixo, na guitarra e na bateria. No meio, há um refrão mais intimista, só na voz e teclado, até voltar ao peso. Lágrimas é uma baladinha mais pop, começando devagar, com ótima presença de baixo e teclado, até ir progredindo no peso. A letra parece, mais uma vez, direcionada à perda de Mauro, falando da transitoriedade da vida e sobre a vida eterna, a maior esperança dos cristãos. Save Me From Myself encerra o disco e, sim, é cantada em inglês, o que já me deixou meio chateado. É um cover de Dennis Jernigan, famosa na regravação de Michael W. Smith, um dos artistas gospel mais consagrados internacionalmente. Mas a baladinha é muito bem tocada. Pelo visto, a estadia em Londres fez bem à pronúncia do Maurão, que já não era ruim.

RECOMENDO: Água Viva, Confiar, Não Ser e Lágrimas.

2 comentários:

  1. Cara,parabens ,melhor resenha q eu ja li até hoje, e com voce disse oficina ja perdeu mais um grande baterista,onde isso vai parar senhoor?

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  2. Gostei bastante do texto. O último álbum (Histórias e Bicicletas) parece capa do Los Hermanos...

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